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A palavra ecoa nos post-its, objetos, no silêncio da casa, nos autorretratos, nas rachaduras e frestas, no terror e na pausa. Os registros de um processo de isolamento são mapeados em um espaço em branco. Um percurso sobre matéria e memória. E sobre um nevoeiro que há de passar.

“Topografia” é uma palestra-performance do projeto “Ações para Reexistir - Pesquisa e Criação Interdisciplinar”, desenvolvido pelo ator Daniel Olivetto, com interlocução artística de profissionais da dança, do teatro, do audiovisual, da música e das artes visuais desde 2019.

O projeto “Ações para Reexistir” nasce das tumultuadas relações humanas em meio às eleições presidenciais de 2018, quando se consolida uma forte onda conservadora contra os direitos humanos e as políticas afirmativas. Um momento marcado por discursos de ódio, pelo fundamentalismo religioso, pela intolerância e, em um enfoque mais pessoal, pelo sentimento de despertencimento familiar. Diante da perspectiva sombria que se anunciava, o que move um corpo para resistir?

Olivetto mergulhou em processos de criação de artistas de diferentes linguagens, buscando mapear e compreender quais são as forças propulsoras nos trabalhos de artistas e coletivos de artes tão distintas em suas naturezas e procedimentos. Em cada linguagem o que move um corpo a agir e a mover espaços?

A partir de março de 2020, diante da pandemia da covid 19, o percurso foi adaptado para o contexto das plataformas virtuais. Por meio destes encontros, e estimulado pelas trocas com as artistas convidadas, o processo gerou vídeos de estudo, ensaios fotográficos em diferentes momentos da pandemia, alguns deles publicados no perfil do instagram e no website do projeto, que abriga também um diário de processo, compartilhamentos de referências da pesquisa e outros textos de trabalho.

Antes, a perspectiva era a explorar procedimentos de outras linguagens artísticas para mover um corpo em sala de trabalho por meio de encontros e trocas presenciais, estimulando a criação de uma futura metodologia física. Por conta do isolamento social, a percepção sobre o papel do corpo toma outros rumos. Assumir a pausa, escutar o esgotamento e a espera, acumular, implodir. Nas palavras de Isadora Duncan: “Parar para poder mover”.

“Topografia” foi apresentado pela primeira vez em dezembro de 2021 na Galeria Mauro Caelum, em Itajaí, como parte de um conjunto intitulado “NEVOEIRO”, formado por 5 ações que atravessam procedimentos de diferentes linguagens artísticas. No mesmo mês apresentou-se no Casa Sant´Anna, em Canelinha – SC, um casarão histórico repleto de objetos e móveis de uma família fundadora da cidade. Em outubro de 2022, o projeto volta a ser apresentado em Teatros e outros espaços. Em cada configuração espacial, o artista propõe um percurso espacial distinto com o público e um novo mapeamento de objetos e memórias pessoais, tornando cada apresentação uma dramaturgia única.