• Daniel Olivetto

Verónique Doisneau

Atualizado: Abr 9

2004

de Jeróme Bell


Neste solo, as memórias de Verónique Doisneau, segunda bailarina da Opera Nacional de Paris, evidenciam diferentes aspectos poéticos e hegemônicos do ballet clássico pelo olhar da intérprete, prestes a se aposentar.


“Boa noite. Meu nome é Verónique Doisneau. Eu sou casada e tenho dois filhos, um de seis e outro de doze anos. Eu tenho quarenta e dois anos e aposento-me em oito dias. Hoje a noite é minha ultima apresentação pela Ópera de Paris. Para aqueles que estão distantes, as pessoas dizem que eu me pareço com a atriz francesa Isabelle Huppert. Quando tinha vinte anos, eu fiz uma cirurgia de hérnia de disco pra reparar alguns danos. Pois eu corria o risco de nunca mais voltar a dançar. Na hierarquia da Ópera Ballet de Paris eu sou um sujeito. Isso significa que eu posso dançar tanto no Corpo de Baile quanto alguns papéis de solista. Eu ganho cerca de três mil e seiscentos euros por mês, aproximadamente vinte e três mil francos franceses. Eu nunca fui uma estrela. Isso nunca foi cogitado. Eu acho que eu não tinha talento o bastante e também era fisicamente frágil. [Pausa de respiração de quatro segundos] O encontro com Rudolf Nureyev foi fundamental para mim. Ele entendia de tudo e nos deu uma ideia: É através do domínio da linguagem da dança que a emoção é criada. Acima de tudo, ele nos disse para respeitar o sentido do movimento. E que não tentássemos interpretá-lo. À propósito, eu adoro dançar a segunda variação de The shades pas de trois do terceiro ato de La Bayadère [a bailarina deposita seu tutu e a garrafa d’água no chão, anda até a diagonal ao fundo esquerdo do palco e realiza a variação mencionada deslocando-se pelo espaço do palco enquanto cantarola a música de tal balé]. ¹



1  FERREIRA, Rousejanny da Silva. Quando o balé fala de si mesmo: o suspiro de Veronique Doisneau. Anais do IV Congresso Nacional de Pesquisadores em Dança. Goiânia: ANDA, 2016. p. 763-770. Link: http://seer.fundarte.rs.gov.br/index.php/RevistadaFundarte/article/view/651

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